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YAMA, o 1º dos 8 passos (de Yoga) de Patanjali, o “pai” do Yoga

No seu livro “Ashtanga Yoga” (literalmente “os 8 membros do Yoga”), Patanjali - sábio indiano conhecido como “o pai do Yoga” - fundamentou e sistematizou as bases do yoga em 8 passos.

1º PASSO: YAMA - Disciplina Social


“Yama” significa “abstenção” ou “restrição”; são os “não fazer” do Yoga.


O Homem - membro da sociedade desde os tempos antigos - não pode sobreviver isolado, e como membro da sociedade tem certos privilégios e obrigações, que deve cumprir a fim de se fazer a si e aos outros felizes.


Patanjali define da seguinte maneira a conduta social para com os outros: não violência, veracidade, não cobiça, moderação sexual e desapego aos bens materiais. Estes são os grandes mandamentos morais universais que não são limitados por nascimento, lugar, época e ocasião, ou seja, são aplicáveis em todos os momentos. Todas estas qualidades resultam naquilo a que chama “pureza”.

Os textos de Yoga enumeraram várias dessas regras, que são consideradas fundamentais. Os “Yogopanisads” (textos que constituem a base da filosofia hindu) descrevem os (11) “Yamas” como sendo não violência, veracidade, não cobiça, moderação no sexo, perdão, intelecto estável, piedade, compaixão, moderação na dieta e limpeza.

OS (11) TIPOS DE YAMAS


1. AHIMSA

Não violência

Violência é falta de amor. Sem inimizade nenhum ato de violência pode ocorrer. Só o amor pode unir a sociedade e torná-la coesa. Um Yogui não tem ódio no coração, apenas amor por todos. A violência é o resultado de medo, egoísmo, raiva e falta de confiança. A não violência é respeito pelos outros, é um estado de espírito.

Patanjali refere que qualquer pessoa que entre em contacto com um Yogui desprovido de pensamentos de violência ficará livre de qualquer sentimento de inimizade.

2. SATYA

Verdade

Diga a verdade e diga o que agrada, mas não diga a verdade que agrada nem a mentira que agrada, seja absolutamente sincero.

O “YogaSastra” (tratado do século XII em sânscrito sobre as "regras de conduta para leigos e ascetas") diz que quando a mente e o intelecto concordam no seu julgamento, essa é a verdade, esse é o conhecimento real. Um estudante de Yoga deve ser um seguidor da verdade em “pensamento, fala e ação.”

“Aquele que conta uma mentira é mais venenoso do que uma serpente.”


3. ASTEYA

Não roubar/não cobiçar

“Asteya” é a “aceitação” apenas do que é essencial. Tudo o resto é ganância. Cobiçar os bens alheios, ainda que apenas mentalmente, é um pecado semelhante a roubar.

Um verdadeiro estudante de Yoga - que pratica “Asteya” - não tem necessidade de riqueza; mas se a receber, usá-la-á para benefício de outros.


4. BRAHMACHARYA

Moderação sexual

“Brahmacarya” não significa “celibato vitalício”, mas moderação no sexo num casal. “Kama” ou “sexo” é, sem dúvida, um dos “purusarthas” ou “objetivos” - e parte integrante - da vida, bem como a força motriz do ser humano, porém, deve ser canalizado na direção certa.

Parceiros num casamento devem ser leais um ao outro, cumprindo obrigações mútuas com moderação; “sexo desenfreado leva à ruína.”

Os sentidos não devem ser desviados do foco em “Brahman”, “o Supremo”, caso contrário, será desviado do caminho do Yoga.

O corpo permanece forte e saudável apenas quando “manas” (mente) e “prana” (respiração) estão firmes interiormente. Quando a mente está estável, a respiração e a energia vital também se estabilizam. Ao estabilizar a energia vital, adquire-se a força e a estabilidade do corpo.


5. APARIGRAHA

Não aquisição de bens (desapego)

“Parigraha” é “aquisição”, ou “acumulação de riqueza por ganância pessoal.”

Quando a “doença” da ganância se instala, é impossível “abandoná-la”. É verdade que uma certa quantidade de dinheiro é necessária para atender às necessidades básicas do ser humano, principalmente numa economia como a atual, em que comida, abrigo e roupa são pagos em dinheiro. Porém, a ganância não se aplica a uma necessidade física, doença é a “ganância psicológica”; aquele que está “livre de ansiar objetos desnecessários e prazeres sensuais indevidos está livre da doença mental da ganância.”

"Aquele que se liberta do “eu” e do “meu” será capaz de ver as coisas de uma perspetiva real e adequada,” disse Patanjali.


6. KSAMA

Perdão

Perdoar os inimigos que te atormentaram - física ou mentalmente - é uma das qualidades de um Yogui; saber “dar a outra face.”


7. DHRITI

Intelecto estável

Estabilidade intelectual leva à realização do “Eu Sou”.


8. DAYA

Compaixão

Ter compaixão por todos, e praticá-la em pensamento, palavra e ação.

9. ARJAVA

Franqueza/sinceridade

Ser simples e honesto.


10. MITAHARA

Moderação alimentar

Controlar o paladar e comer apenas para a manutenção do corpo, “não para a gratificação do paladar.”


11. SAUCA

Limpeza/Asseio

“Sauca” diz respeito à limpeza exterior e interior do corpo.


Fonte: Ashtanga Yoga of Patanjali: Philosophy, Religion Culture, Ethos and Practice (2015), Prashant S. Iyengar

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